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Recebidos:
De: Alberto / A. Rowe Célia, O jumento e Bush Quando visitei a finada União Soviética, Gorbatchev era
o alvo da curiosidade mundial. Era o homem da Glasnost e da Perestroika.
Convidou-me para um passeio pelos jardins do Kremlin. Numa pequena praça,
ali estava, num modesto berço, um velho canhão da guerra
de 1914, carcomido pelos anos e pela neve. Agora, vejo Bush procurar, numa guerra que ninguém sabe quando e de que forma acabará, onde estão as armas de destruição em massa do Iraque e finalmente encontrá-las: um jumento, puxando uma carroça com o sugestivo nome de ''Meu coração está com você, querida'', disparando velhos foguetes cabeças-de-prego, numa perigosa ação terrorista contra dois hotéis de luxo de Bagdá, onde estão confinados jornalistas e empresários. Os primeiros, cobrindo a guerra; os segundos, atrás de ganhar dinheiro com ela. Na foto que o mundo viu, aquele jumento alienado, com sua carroça, sem se preocupar com nada, é vigiado por um soldado americano que portava 20 quilos do mais sofisticado material de guerra jamais colocado à disposição de um soldado na história de todas as guerras: lunetas que olham no escuro, acompanham o vôo de morcegos e corujas à noite, balas inteligentes que sabem se alojar nos pulmões e corações, localizadores de espaço (GPS), comprimidos que condensam todas as proteínas e vitaminas necessárias à vida, pistolas a laser, chicletes que espantam o sono, idem que não deixam sonhar, vasilhas ultraleves e de anatomia planejada para aderir ao corpo em cada lugar necessário, para recolher dejetos, granadas de pimenta, de limão, bombas de gases letais de feijão dormido, algemas e transmissores interligados com todos os comandos das terras e dos oceanos. Tudo para quê? Para vigiar esse jumento, o único terrorista que foi preso em flagrante e não se auto-imolou. Certamente será interrogado pela CIA e vai para Guantánamo. Conversas à parte, não há quem não esteja preocupado com Bush. O que ele fez com os Estados Unidos não tem precedente. O mundo ficou solidário com os americanos pela inominável, feroz, ignominiosa agressão dos atentados de setembro. O mundo revoltou-se. Uma auréola de simpatia envolveu esse grande país. O seu presidente jogou tudo fora. Transformou amor em ódio, simpatia em desconfiança, uma reação justa, numa ação suspeita. De Kennedy diz-se: ''Sua morte mudou o destino de várias gerações''. Do desastre da Baía dos Porcos, convidou o mundo a lutar pela paz e criou o Peace Corps, engajando os jovens de seu país. De Bush, diz o prefeito de Londres, Ken Livingstone: ''George Bush é a maior ameaça da vida na Terra''. Que frase terrível! Esse homem só pensa na força, criou uma guerra que ninguém vê nem viu. O terrorismo aumentou e o quotidiano são atos de terror. É a guerra permanente. Suas motivações cada vez mais ficam evidentes: quis legitimar sua não eleição e vingar-se de Saddam, pois ''quis matar papai''. Em Londres, numa réplica do que aconteceu no Iraque, sua ''estátua''
é derrubada pelo sóbrio povo inglês. Em Bagdá,
a grande vitória é a descoberta de um jumento terrorista.
De: "Ely Santos" Bandeira rota (Folha de São Paulo 28/11/2003) Querido irmão Sobel, foi reconfortante saber que você reafirmou seu repúdio à pena da morte. Sua coragem e humildade em rever uma tomada de posição num momento de emoção foi de grande dignidade. Você está na esteira daqueles que, desde as trevas da ditadura até a transição política e a democracia, têm testemunhado serenidade e esperança diante do medo. Desde os anos 70, com sua corajosa posição depois do assassinato de Vladimir Herzog pela ditadura militar, você tem sido referência incontornável, com o dom da ubiquidade em todas as frentes de luta pelos direitos. Foi uma bela notícia justamente na semana em que a Comissão Teotônio Vilela, fundada por Severo Gomes, comemora 20 anos no Memorial da América Latina, com a presença do ministro Nilmário Miranda -o que acontecerá hoje. A ditadura militar, para ter as mãos livres para torturar, sequestrar
e assassinar, não ratificou a Convenção Americana
de São José da Costa Rica, de 1969. Finalmente, na gestão
do chanceler Celso Lafer, em 1992, essa convenção foi ratificada.
Nela fica determinado que os países que não tinham pena
de morte no momento da ratificação somente podem introduzi-la
com a denúncia da convenção. Até o momento,
o único regime do continente que tentou fazer isso foi a ditadura
de Fujimori, no Peru. Tenho certeza de que o presidente Lula não
assumirá o vexame internacional de denunciar a convenção.
Não podemos reagir a cada tragédia propondo o inaceitável, o indizível, o inefável. Não há palavra, gesto que consiga aplacar a dor de pais, mães, irmãos, avós que perderam seus familiares assassinados. Você conhece a tragédia das mães da periferia de São Paulo, das favelas do Rio, dos bairros populares de Recife, cujos filhos morrem como moscas todo dia -mortes tão banalizadas que o noticiário passa ao largo-, sem que sejamos capazes de uma solidariedade militante com essas famílias. Mas a resposta não está na lei de Talião: olho por olho, dente por dente. O "Mapa da Violência", preparado pela Unesco e o governo brasileiro, diz-nos que a taxa de morte por homicídios na faixa de 15 a 24 anos em 2000 era de 39%, comparada a 4% para toda a população. Nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, as taxas de homicídio daqueles jovens eram superiores a 50%. No Rio de Janeiro e em Pernambuco, as taxas de homicídio de jovens em 2000 foi superior a 100 por 100.000 habitantes, enquanto a taxa nacional de homicídio é de 25 por 100.000. Chegou o momento, meu irmão Sobel, de despejarmos também nossa fúria contra os responsáveis maiores pela morte desses jovens. Proponho a você alguns: primeiro, a multinacional Taurus-Rossi e a Companhia Brasileira de Cartuchos, que estão mais preocupadas com seus lucros do que com a vida dos brasileiros. Entre 1991 e 2000, as taxas de homicídio com armas de fogo foram, no Rio de Janeiro, de 77,8%, e em São Paulo, de 89,8%. Em todo o Brasil, 82,2% das mortes foram por armas de fogo; em São Paulo, a cada três minutos é apreendida uma arma. O lobby desses mercadores da morte financiou campanhas de parlamentares
que criam obstáculos a qualquer projeto de não-comercialização
desses instrumentos da morte. Outros parlamentares produzem espasmodicamente
legislação penal oportunista, incapaz de ter algum efeito
de proteção relevante dos cidadãos. Por isso o sistema
criminal brasileiro está submetido a uma choldra de leis penais
ineficazes. Agora mesmo volta outro tema roto, a diminuição
da idade penal, comprovando a incompetência de adultos e governantes
para lidarem com alguns milhares de crianças e jovens infratores,
como afirmou na Presidência Fernando Henrique. Tenho certeza de
que o presidente Lula garantirá, como fez seu antecessor, o veto
para qualquer projeto que proponha rebaixar a idade penal. Está na hora de, além de bradar com você pelo processo e castigo dos criminosos, enfrentar olho no olho os principais culpados pelo desespero atual e responsabilizá-los pelo sangue dos jovens, pela profunda dor de tantos pais e mães neste triste país assolado pelo medo. Paulo Sérgio Pinheiro, 59, é expert independente das Nações
Unidas para a Ela se chamava Eliana, tinha 19 anos e morava no Jardim Riviera, que
fica próximo ao Jardim Ângela. Os tiros desfiguraram seu
rosto e o velório foi realizado com caixão fechado. Passado mais de um ano, ninguém ainda descobriu quem matou Eliana. Pelo modo como foi morta, suspeita-se que ela tinha alguma dívida com traficantes. Mas, como as investigações foram encerradas prematuramente, ninguém sabe dizer o que houve. Concedo que o advogado Ari Friedenbach, pai da garota Liana, assassinada
em Embu-Guaçu, ainda esteja sob forte emoção por
conta de tudo o que aconteceu. Mesmo assim, ouso dizer que ele deveria
selecionar melhor as pessoas com quem anda. Luiz Antonio Fleury Filho,
que o acompanhou na visita ao Congresso, é um dos homens de frente
do lobby armamentista em Brasília. Só para entender melhor,
lembro que a arma que matou o namorado de Liana pertencia a um dos acusados
do crime. Pois bem, esse indivíduo já tinha sido preso por
porte ilegal, mas fora solto em seguida, sem maiores explicações,
e teve o processo arquivado. Mensagem de Alberto Santos Célia, É necessário ter em conta que
o governo Lula está no poder, mas não pode fazer um governo
revolucionário?! Há uma Constituição, há
um Poder Legislativo, há um gigantesco Poder Econômico -
nacional e internacional - que controla a mídia e há ainda
muitas ONGs, criadas muito mais para manter o poder do capital apátrida
do que para ajudar os povos a se libertarem da miséria e da exploração.
De: J. Morais Alô, amiga(o)s ! São do médico John Hardwick que, recentemente ("Is There A Duty To Die?" (March-April 1997, The Hastings Center Report ) chocou o mundo ao propôr um "novo e polêmico modelo bioético" baseado no "dever de morrer". Pedro Porfírio - sempre na vanguarda - destrincha o assunto em sua coluna de hoje na "Tribuna da Imprensa". Um abraço do ZM. Foi um crime hediondo, sem tirar nem pôr. Um ensaio de genocídio virtual, um aviso tétrico, um mau agouro. Foi a exposição emblemática, o retrato sem retoque da política mordaz de um governo que quer se livrar da previdência social pública. Que está com a idéia fixa de transformar os aposentados e pensionistas em bodes expiatórios das contas públicas, da incompetência deslavada, da corrupção enraizada. Primeiro, foram os nonagenários. Para o sultanato bastardo, precisava dar uma lição aos que ousaram passar dos noventa, dando despesa ao INSS, ainda que meias patacas. Precisava expor esses velhinhos a um vexame coletivo, humilhá-los, torturá-los em público, sob os focos da TV. Isso iria repercutir, assustar, inibir, aterrorizar. Velha tática nazista, bem no figurino dos dias de hoje. Você viu. Carregados nas costas de outrem ou carregando frascos de soro, mareados, em cadeiras de rodas, os rostos franzidos como se pilhados em alguma travessura. Nenhum artista, pintor ou cineasta produziria quadros tão dantescos. Não precisou da arte: para os nonagenários brasileiros, o inferno é aqui. Nada aconteceu por acaso. Não foi nenhum descuido. A população, que contempla inerme o governo dócil nos braços dos banqueiros, teria nos mais velhos as causas do propalado rombo da Previdência. As fogueiras de luz, das câmeras ágeis, iluminaram suas frontes tomadas pela perplexidade inaudita. O inconsciente perverso de um governo falacioso mostrou sua índole. Se para os seres humanos a captura dos velhinhos horrorizou, para a súcia estelar foi uma festa. Teve o sabor da revanche, dos ódios internalizados, de quem se acha acima do bem e do mal, do juízo dos homens, da censura da sociedade. Tudo depende do FMI Estou exagerando? Nem de longe. Você acha que o Berzoini não sabia como vive alguém de noventa anos ou mais? Imaginava-os, por acaso, na flor da idade, correndo de um lado para o outro para manter a forma? Não haveria outro jeito de apurar as dúvidas sobre possíveis fantasmas, que não fossem por levar os sobreviventes ao cadafalso? Diz-se que há no País mais de 600 mil agentes comunitários de saúde. Não poderiam eles dar uma mãozinha em visitas a cada um dos 105 mil nonagenários? Não confiam nos agentes? Então por que não lhes emprestar máquinas fotográficas? E os assistentes sociais, para que servem? Além de suspender os pagamentos, uma punição ao mesmo tempo seletiva e indiscriminada, um abuso de poder, o governo submeteu os teimosos sobreviventes a exigências típicas de quem quer mesmo é extinguir o benefício. A lei eleitoral dispensa os maiores de setenta do voto obrigatório. Pois não é que os velhinhos tinham que apresentar, entre outros documentos, o título de eleitor? Ao justificar o bloqueio ilegal, imoral e desumano, o ministro da Previdência saiu-se com a alegação de que a medida arbitrária atingiria apenas 0,7% dos beneficiários do INSS. Quer dizer: na ideologia do governo, as pessoas se contam em percentagens. Como os nonagenários compunham um percentual pouco expressivo, eram minorias das minorias, podiam ser sacrificados, porque os outros 99,03% estavam fora desse massacre. Na verdade, tudo não passou de uma encenação programada. Jornais informaram que os técnicos do ministério haviam advertido sobre as conseqüências do bloqueio. No entanto, o ministro fincou pé. Por quê? Ele operou um tipo de propaganda própria dos regimes totalitários. Quis produzir um escândalo, chocar. Assim, à custa dos 0,7% dos aposentados e pensionistas, exibiria zelo pelo dinheiro do INSS. Não disse, por não ser conveniente, quanto esses 0,7% ganham. Ainda paira no ar a imagem daquela pensionista de Santos, que recebe uma fortuna por conta de leis malsinadas. Associar uma coisa a outra não seria difícil. Sua tática está em sintonia com sua taxa de escrúpulos. O currículo de Ricardo Berzoini explica esse expediente, tão sujo como os usados na campanha eleitoral do ano passado, em que ele esteve envolvido, conforme reportagem da "Veja". Errou nos cálculos. Ia fazer espuma, esperando localizar um cemitério de falsos aposentados, que, no seu jogo de probabilidades, seria formado pela grande maioria dos 105 mil beneficiários. Isso estava na sua lógica. Viver mais de 90 anos, no Brasil, seria façanha de meia dúzia. Mais de cem mil, nem pensar. Táticas nazistas no poder Aprendeu a falar mal dos outros, mas se esqueceu de aprender a fazer as coisas quando isso lhe coubesse. Por isso, não escapa ao panfleto, ao palanque e aos escândalos, mesmo que seus "quadros" estejam envolvidos. Acrescente-se a isso o abominável deslumbramento com o poder. Esse é tão político como existencial. Há uma sensação de um sonho passageiro, aquela coisa de que pode não dar certo e tudo voltar a ser como dantes. A imagem do fortuito cristaliza a paranóia. Há ímpetos repetidos de auto-afirmação. O poder sobe além da cabeça. Tende-se ao pagar para ver. O nazismo evoluiu segundo uma lógica estranha aos compêndios. Não era da dialética marxista, nem do receituário capitalista. Valeu-se do estoque de sentimentos germânicos e foi dando certo enquanto não enfrentou a necessidade de definir-se. Aí, já era tarde. Só lhe restava a aventura bélica. Mas enquanto viveu de perseguir uns e outros, dentro de casa, atraiu multidões, que não queriam ser perseguidas e, na dúvida, somavam-se aos perseguidores. A dialética petista que produziu o espetáculo de humilhação dos nonagenários resulta da crise existencial causada pela impactante metamorfose. O partido já não é o mesmo e pode até crescer quantativamente, mas tende a deformar-se. Faz uma viagem sem volta em direção ao estelionato eleitoral. Torna-se, por conta, mais agressivo do que os governos liberais burgueses. Quando Lula acusou seus antecessores de covardes, não o fez só pelo sol na testa. Teriam sido covardes por não terem implementado o novo Estado a que se dedica hoje com sua turma. Esse novo Estado é um certo templo que promete o paraíso futuro, arquiva o passado e sacrifica o presente. Como ungüento, recorre aos truques das políticas compensatórias, que oficializa as legiões de pedintes, constrangidos a viverem de migalhas. Daqui para frente, vai ser pior. O nível de agressividade do governo
vai aumentar na medida em que seu caráter de um medíocre
clone de FHC for sendo percebido por todos. Resta-nos, agora, descobrir
como criar as condições para que nós também
possamos ultrapassar o estágio das lamentações. Ao
homem são conferidas outras faculdades. À ira ante a traição,
há de somar-se a equação que leve ao resgate do sonho
ultrajado. De: A. Rowe Você sabia que os deputados federais ganham... Salário: R$ 12 mil E ainda vão receber R$ 25,4 mil para trabalharem durante o recesso?
... e querem que você doe um pouquinho para o "Fome Zero"
. CEU: Marta faz cópia mal feita dos CIEPs Mario Grabois A prefeita de São Paulo Marta Suplicy e o presidente Lula nauguraram
sexta-feira, 01/8/2003, o CEU-Centro de Educação Unificada,
no bairro de Guaianases. Trata-se de uma proposta que pretende integrar
educação, esportes e atividades sócio-recreativas
à vida comunitária, ou seja, uma cópia descarada
e mal feita da idéia dos CIEPs, um dos eixos fundamentais das políticas
públicas do PDT. Burocráticos e oportunistas
Saiba mais sobre a proposta do PDT para os CIEPS CIEPs - Exemplos para o Brasil Tatiana Chagas Memória Nos últimos trinta anos, a decadência da Escola Pública,
vem sendo comprovada por todos os educadores nesse País, por índices
cada vez mais altos de repetência e evasão escolar. Projeto Pedagógico - O gênio de Oscar Niemeyer produziu
um prédio, executado com seis peças pré-fabricadas
de concreto armado, cuja beleza e impacto chegaram a encobrir o projeto
pedagógico desenvolvido no interior do mesmo. Enquanto Niemeyer
trabalhava no projeto arquitetônico, professores trabalhavam sob
a orientação de Darcy Ribeiro na estrutura do I Programa
Especial de Educação, do seu projeto pedagógico. 30 primeiros - Os trinta primeiros Centros Integrados de Educação
Pública - CIEPs - foram autorizados pelo Governador Brizola, em
caráter experimental. Entretanto, esses trinta mal tinham começado
a funcionar, mais cento e vinte foram autorizados e, logo depois, mais
trezentos, que chegariam a quinhentos, se tivesse havido tempo para tanto. Programa Especial - Nos oitenta que estavam em pleno funcionamento,
o I Programa Especial de Educação foi desmontado e voltaram
a funcionar neles aqueles mesmos dois ou três turnos da rede convencional,
ineficientes e incapazes de promover o aprendizado, sempre com a mesma
alegação de que faltam salas de aula e de que é preciso
colocar a criança na escola, mesmo que essa escola seja de mentira.
Os equipamentos e utensílios adquiridos para aquelas quarenta e
sete unidades foram doados, emprestados e perdidos. Esse foi o panorama encontrado em 1991, quando o Governador Leonel Brizola
reassumiu o Governo do Estado do Rio de Janeiro, eleito com quase 70%
de votos da população e o compromisso de entregar ao povo
desse Estado os 500 CIEPs previstos. Avaliação - Avaliações feitas nos
oitentas CIEPs que mantiveram seu alunado acusaram um nível de
eficiência igual ao da rede tradicional, o que era absolutamente
verdadeiro, porque o que existia no interior desses prédios de
CIEPs eram escolas da rede convencional. Constatou-se não só a grande falta de professores, como ainda o baixo nível de formação dos mesmos, que vem sendo discutido em todo o País. Contatou-se, ainda, que todas essas unidades deveriam funcionar ordenadas dentro de um projeto pedagógico único, ou teremos a reprodução do que ocorreu nas redes comuns em que, por um equívoco do que significa Democratização da Educação, entrega-se totalmente as escolas a direções às vezes eleitas, que orientam tais unidades de forma melhor ou pior, de acordo apenas com sua competência, mas sempre diferentes umas das outras, tanto pedagógica quando administrativamente. Professor bolsista - A grande preocupação com o nível do professor e sua capacitação para a tarefa de integrar todas as atividades de uma escola de turno único levou a Secretaria a criar, em convênio com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a figura do professor bolsista que, em número de dois para cada turma, permaneciam em sala de aula por quatro horas em prática pedagógica. Em mais quatro horas, o próprio professor cumpria o seu currículo, apoiado por uma programação de televisão especialmente produzida para esse fim. A necessidade de um projeto pedagógico construtivista fez com que a Secretaria Extraordinária produzisse todo o material didático que tinha como objetivo trabalhar com o aluno e com o professor. Para a capacitação do professor produziu-se, ainda, todo um material pedagógico que previa um trabalho de avaliação continuada e uma revista de informação cultural. Em fevereiro de 1992, já com o projeto pedagógico revisto, teve início o processo de implantação do II Programa Especial de Educação, nos primeiros CIEPs entregues pela EMOP totalmente recuperados. Até outubro de 1992, foram reimplantadas trinta e oito unidades. A partir de outubro, e já na impossibilidade de concluir um ano letivo, a Secretaria continuou com a implantação dos CIEPs, mas funcionando com classes de ambientação. Aproveitamento - Em fevereiro de 1993, cento e sessenta unidades entraram em funcionamento já com toda a estrutura do Programa montada, o que nos permitiu a contratação de uma avaliação externa que teve seus instrumentos aplicados em dezembro, de acordo com previsão do Plano Básico de Educação deste Estado. Os resultados desta avaliação, feita por seis professores pós-graduados, em cinqüenta e sete unidades que completavam o ano letivo, nos levaram a acreditar que tínhamos encontrado o caminho. 93% dos alunos do 3º ano de escolaridade 76,58% dos alunos do 5º ano de escolaridade tiveram aproveitamento satisfatório e teriam sido aprovados em escolas tradicionais. Esses são índices que nos comprovam o acerto de um trabalho sério, desenvolvido com aluno e professor. Como resultado da implantação desse Programa, foram oferecidos 23.500 novos empregos de professores e funcionários de apoio. 205.000 vagas de Ciclo Básico e 137.000 vagas para a Educação Juvenil foram oferecidas à população. O programa de Alunos Residentes atendeu a 4.778 alunos dos quais 2.416 foram reintegrados às suas famílias e 2.362 permanecem em atendimento nos CIEPs. Dez mil professores selecionados receberam treinamento e reciclagem como bolsistas nos CIEPs. Centro de TV - O Centro de Televisão já produziu mais de 380 horas de programação didática e educativa para atendimento do aluno e do professor. Foram produzidos 61 títulos de material didático, com tiragem e mais de 11.000.000 exemplares. O Estado do Rio de Janeiro foi o maior comprador de livros, no ano de 1993, para o maior número de bibliotecas existentes em qualquer outro estado do País. Integradas ao Sistema Estadual de Bibliotecas, cada CIEP possui a sua. Mesmo o menor município do Estado do Rio de Janeiro possuiu pelo menos uma biblioteca, a do CIEPs, à disposição de toda a comunidade. Enquanto todo esse processo estava em andamento, as novas discussões sobre o Programa apontaram para uma necessidade imediata de atendimento ao segundo segmento do 1º grau e ao 2º grau de ensino, que há anos não mereciam a atenção dos governantes. Ginásios Públicos - Consciente da necessidade de novos rumos para a educação média, o Senador Darcy Ribeiro, autor de projeto de lei para as Diretrizes e Bases da Educação, propôs a criação dos Ginásios Públicos, aprovado neste Estado, em caráter experimental, pelo Conselho Estadual de Educação. Implantados em sessenta e oito prédios de CIEPs, os Ginásios Públicos têm novo currículo pedagógico, que rearticula as antigas 5ª, 6ª,7ª,8ª séries do 1º grau e as 1ª, 2ª, 3ª séries do 2º grau, em cinco anos do curso. Assim, com 5 anos no Ginásio Público, o aluno em dez anos tem o 2º grau completo e está apto a enfrentar o mercado de trabalho ou a Universidade. Nesses Ginásios, o horário integral é opcional.
O currículo básico obrigatório é oferecido
pela manhã ou à tarde e oficinas livres, que possibilitam
um caminho vocacional, são oferecidas em horários alternativos.
O jovem que já precisa enfrentar o mercado de trabalho pode abrir
mão dos cursos livres e manter o seu emprego pela manhã
ou à tarde. À noite, os Ginásios ainda têm
o ensino a distância, permitindo que, utilizando sua própria
conveniência e capacidade de assimilação, aqueles
que não tiveram oportunidade no tempo próprio possam em
um, dois ou três anos completar seu 1º ou 2º grau. Continuidade - Todo esse trabalho foi o pontapé inicial.
Quatrocentos e nove CIEPs estão aí como exemplo para aqueles
de boa-fé e boas intenções que queriam tomar conhecimento
do que são e como funcionam. CIEPs - As escolas integrais Sou um homem de sorte, tive muitas alegrias na vida. Nenhuma maior,
porém como a de conduzir o Programa Especial do Rio de Janeiro,
que foi e é o mais amplo e ambicioso empreendimento realizado no
Brasil. Nenhum deles teve, porém, aquilo com que contei: o total apoio
de um estadista da educação com a coragem de investir um
bilhão e duzentos milhões de dólares neste Programa,
que absorveu 54,91% do orçamento do Rio em 1993. O mesmo ocorre com suas bibliotecas - mais de 500, com cerca de 500 obras
bem selecionadas, proporcionando boa leitura. Tudo isso sob a orientação
de animadores culturais que passaram a ser uma figura nova nas escolas
do Rio, ao lado dos tele-educadores e dos professores de informática.
Nossa conquista mais importante, entretanto, reside na preparação
do magistério e na elaboração do material didático,
tanto impresso, como em video-cassete e em disquetes. Perto de 10 mil
normalistas, amitidas como bolsistas, realizaram programas de aperfeiçoamento,
através de recursos audio-visuais e do trinamento em serviço,
devidamente orientado por educadoras experimentadas. Preparação
prático-teórica O custo mensal por aluno destes serviços, contabilizado nos CIEPs,
é de 44,53 dólares, sendo 13,94 para custear a merenda,
4,24 para uniformes e 4,16 para saúde e esporte. Estes custos,
aparentemente altos, na verdades são mais baixos do que a escola
pública que se oferece à infância brasileira, porque
o rendimento escolar se mede é por produto, correspondente ao número
de crianças que completam o curso, e que nos CIEPs é três
vezes superior. Acresce a estes gastos, o material didático que
produzimos, dezenas de livros e folhetos, numa tiragem de 11 milhões
de exemplares, destinados aos CIEPs e à rede pública. E,
ainda, a elaboração de 30 cursos em video-cassete e a produção
e adaptação de múltiplos programas de ensino por
computador. Comprovamos, ainda, que o sistema de reprovação primitiva,
que punitiva, que só se aplica em nosso país, é mais
uma discriminação classista do que uma pedagogia. Nos CIEPs
a progressão contínua permite aos alunos vindos das famílias
mais atrasadas alcançar um rendimento progressivo e, a partir da
3ª série, equiparar-se aos alunos mais afortunados, aprovando
um mínimo de 74% deles ao fim do cursos fundamental. Leia mais, no site
do PDT: No site da Prefeitura
de São Paulo você pode ler mais sobre o CEU, inclusive
a íntegra
Correio
do Povo PORTO ALEGRE, 22/10/2003 E-mail da E. Santos: Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo Está em falta entre os agentes supremos do governo o hábito respeitoso e civilizador da pontualidade Um episódio de impontualidade sacramentou a saída do deputado Fernando Gabeira do Partido dos Trabalhadores. Outro episódio de impontualidade deitou uma sombra sobre a comemoração, no Palácio do Planalto, do Dia do Professor, na semana passada. O governo vai mal do relógio. Quem se importa? Sob o ponto de vista da histórica leniência brasileira com a impontualidade, tal característica não passaria de um pecadilho. Na verdade, há na impontualidade mais razões do que imagina nossa vã filosofia. Não há só indelicadeza. Há soberba e prepotência. Transposta para a esfera das relações de poder, a impontualidade é um utensílio que reforça a dominação do forte sobre o fraco, do rico sobre o pobre, do mandão sobre o mandado, do poderoso sobre o indefeso. O caso de Gabeira foi amplamente noticiado. O ministro José Dirceu, da Casa Civil, convidou-o a uma reunião em que faria um derradeiro esforço para mantê-lo no partido. A reunião estava marcada para as 11 horas da sexta-feira, dia 10, no gabinete de Dirceu. Onze e quinze, e nada de o ministro aparecer. Onze e meia, e nada. Acompanhava Gabeira, entre outros, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Como se sabe, a gota d'água na decisão do deputado de abandonar o PT fora a liberação, pelo governo, do plantio da soja transgênica. A reunião no Planalto versaria, portanto, sobre a questão ambiental, sua principal bandeira. Quando deu uma hora de espera e nada de Dirceu aparecer, Gabeira resolveu ir embora. "Deselegância tem limite", afirmou. O fato de, três décadas atrás, quando ambos militavam contra o regime militar, Gabeira ter sido o cérebro do seqüestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, moeda com a qual se conseguiu a libertação, entre outros prisioneiros da ditadura, do líder estudantil José Dirceu, apenas acrescentava à descortesia o patético. No caso do Dia do Professor, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou com uma hora de atraso ao encontro de 150 professores que o aguardavam no Salão Oeste do Palácio do Planalto. Entre eles se encontrava uma senhora de 69 anos, Justa Tarifa Valentim, vinda de São Paulo. Dona Justa foi professora de Lula, por três meses, na década de 50. É discutível se uma professora que deu aulas por apenas três meses tenha lembrança do aluno, ou o aluno dela, mas vá lá ? que são as limitações da memória humana diante dos imperativos do marketing? Era preciso arrumar uma professora de Lula para a ocasião, e arrumou-se dona Justa. Ocorre que, sem dúvida em decorrência do atraso, do atropelo resultante, e da falta de preparação do presidente para a cerimônia, Lula mal e mal cumprimentou a professora, e foi em frente. Nem falou com ela. Dona Justa acabou largada pelos cantos. Menos mal que, ao contrário de Gabeira, ela não se ofendeu. "Não dava tempo, é assim mesmo", conformou-se. Nem por isso, como no episódio anterior, deixou-se de acrescentar ao descaso o patético. O antropólogo Roberto DaMatta, mestre na decifração do significado da malandragem, do "sabe com quem está falando" e de outros itens do repertório de usos e costumes brasileiros, escreveu, num artigo publicado na semana passada pelo jornal O Estado de S. Paulo, que "no Brasil a importância social faculta descumprir horários e compromissos, de modo que, quanto mais poderoso, mais atrasado". Eis uma lei de ouro das relações pessoais no Brasil. O que está por cima julga de seu direito fazer o que está por baixo esperar. No episódio Dirceu-Gabeira, Dirceu achou de seu direito deixar o convidado esperando enquanto, sem avisá-lo, ia até a Câmara dos Deputados atender sabe-se lá a que urgência. Já Gabeira não se sentiria no direito de, sem avisar, resolver dar uma passada em algum outro lugar na hora do encontro. Se assim é em qualquer repartição pública, onde o dono do guichê tem o direito de fazer o usuário esperar pelo tempo q ue bem entender, que dizer do Palácio do Planalto, o guichê de todos os guichês, a mãe de todas as repartições? Isso faz parte, para voltar a DaMatta, do "exercício do poder à brasileira". Com licença do mestre, talvez nem se trate propriamente de característica
brasileira. Antes, seria uma característica das sociedades atrasadas
em geral, aquelas em que a igualdade ainda não se impôs na
relação entre as pessoas. Pois, se a impontualidade é
uma forma de dominação, a pontualidade, como seu inverso,
é expressão de igualitarismo. É, para usar detestável
palavrão em voga, uma manifestação de "cidadania".
Na pontualidade, duas pessoas chegam junto. Empatam. Quer dizer: apresentam-se
justas e quites entre si. Esta é uma época em que não
cabe esperar grandes coisas dos governos. As engrenagens sociais, econômicas
e políticas, complexas demais, pesadas demais, mostram-se com freqüência
fora do alcance deles. Sobra que já farão muito se começarem
a atentar para as coisas pequenas, ou aparentemente pequenas. Por exemplo,
incutir em seus agentes o valor respeitoso e civilizador da pontualidade.
Do Boletim do Deputado Babá Edilson Silva - Coordenador do Pólo de Resistência Socialista
Ainda emocionado envio a vocês o texto de Pedro Porfírio ("Tribuna da Imprensa", 16/10/03). No dia de hoje Pedro Porfírio - como nos conta - abriu seu baú de dignidades e dele retirou o poema ao pequeno Vladimir. É de fundamental importância que as memórias sejam sempre registradas, conservadas, e constantemente recuperadas e divulgadas. Li, há poucos dias que, em Cuba (apesar do empenho que lá é feito para que não seja esquecido o cruel e triste período pré-revolucionário, quando o país era o "parque de diversões", o prostíbulo dos manda-chuvas e gângsters norte-americanos ; época em que meninas de 11/12 anos, filhas de famélicos camponeses eram induzidas à prostituição - para gáudio dos ianques - a fim de garantir um prato de comida) li, como dizia, que muitos jovens cubano(a)s - bombardeados pela facilidade nas comunicações (que divulgam as "maravilhas" do capitalismo) - vêm apresentando, em maior ou menor grau, desânimo, ansiedade e abatimento e entendendo a heróica figura do Comandante Fidel Castro apenas como um "velho caudilho"... Acontece que, apesar das dificuldades causadas pelo desumano cerco imposto, há décadas, por Tio Sam , aquela pequena ilha (pouco maior que Pernambuco, com população de Rio de Janeiro) tem hoje uma das melhores medicinas do mundo, com atendimento perfeito à toda população ; índices praticamente nulos de mortalidade infantil ; traço de analfabetismo; clima privilegiado ; turismo em franco desenvolvimento ; destaque em todos os esportes como é bem demonstrado em todas as competições internacionais, etc. E, acima de tudo, é uma nação que nunca se deixou subjugar ou vergar perante os que se consideram donos do mundo e senhores de toda a verdade. A população é pobre e a vida é dura, mas a miséria e a fome inexistem. Existem muitas coisas boas em Cuba mas sabemos que o homem, com sua alma irrequieta, faz com que o costume das coisas ponha fim às boas sensações do dia-a -dia. A memória vai se desvanecendo com o tempo. É triste. E é aí que mora o perigo... Já falei demais. Então, e como dizem que o Brasil é um país SEM memória, está mais do que na hora de lermos o texto de Pedro Porfírio. Um abraço do ZM. O MEU SONHO NÃO ACABOU. NEM ACABARÁ JAMAIS Pedro Porfírio ("Tribuna da Imprensa", 16/10/2003) "Eu digo claramente que eu sonhei o sonho errado, e o sonho errado foi confiar que nós podíamos fazer tudo aquilo que nós prometíamos rapidamente e confiar que poderíamos fazer tudo aquilo num período de quatro anos ou imediatamente". Fernando Gabeira, 14 de outubro de 2003. No dia 16 de outubro de 1969, há exatos 34 anos, eu estava encarcerado num minúsculo cubículo da "Galeria A" da Ilha Grande, que dividia com o também jornalista Rui Xavier. Eram tempos de terror, quando o Estado ditatorial dispunha das vidas de todos os brasileiros a seu livre arbítrio. Éramos presos por qualquer coisa, uma denúncia, uma informação arrancada no pau-de-arara, uma suposição, um surto punitivo, enfim, o aparelho repressivo estabelecera uma rotina macabra que mantinha a sociedade com os nervos à flor da pele. Estávamos ali, nos porões infectos de um regime impiedoso, mas, de certa forma, no fragor do mais legítimo inconformismo, sentíamos a sensação de um sonho compensador. Saíssemos vivos ou morrêssemos ali mesmo, como aconteceu com muitos, oferecíamos nossas vidas e nosso sacrifício às futuras gerações, aos nossos filhos e aos filhos da resistência. Tínhamos por certo e inevitável que o mundo mudaria e um dia, que não estaria distante, resgataríamos a liberdade com o que ela tem de mais profunda - a sociedade dos justos e dos iguais. Hoje, 16 de outubro de 2003, porque Fernando Gabeira falou de um "sonho errado" e porque meu filho Vladimir faz 38 anos, amanheci o dia rememorando aqueles românticos percalços. Contemplei a foto de Vladi menino, serelepe, aqui mesmo, na redação da TRIBUNA, de onde eu fora arrancado, sorrateiramente, e levado para "destino ignorado". Diante das imagens heróicas daqueles idos, me deixo dominar por uma vontade de começar tudo de novo. A PROMESSA AO FILHO Naqueles dias, quando o sonho se fundia com o sofrimento, escrevi uma das muitas poesias do cárcere. Era a expressão ousada de uma reserva moral e ideológica que nos sustentava numa espécie de olimpo de curtidos devaneios. Todo dia 16 de outubro, como num culto, a retiro com certo orgulho do meu baú de dignidades, leio e releio como se retonificasse as esperanças dos invictos. Hoje, depois da catarse de Gabeira, resolvi publicá-la aqui: por uma dessas felizes coincidências, hoje também é dia do aniversário do agora esfuziante jornalista que brilha por sua sagacidade aí mesmo, em Brasília, nas barbas do poder. Não sei se você vai gostar de saber que um dia, mesmo na mais cruel adversidade, os homens não se vergavam. Não sei se você vai concordar com a minha constatação amarga de que, se nem tudo está perdido, quase tudo está comprometido. Até os sonhos, as bandeiras, os hinos e as canções. Naquele tempo, quando o meu Vladimir fez quatro anos, eu escrevi: "Meu filho. O SONHO ERRADO Curioso, alguns dos parceiros daqueles dias tormentosos estão por cima da carne seca. Quando escrevi o poema, estávamos na "tranca dura", ainda como conseqüência do seqüestro do embaixador norte-americano, Charles Elbrick, em 4 de setembro, 5 dias depois que uma junta militar assumiu, com uma doença fatal que acometeu o general Costa e Silva. Entre os personagens, Fernando Gabeira e Franklin Martins, que participaram da ação revolucionária - o primeiro diplomata dos EUA a ser seqüestrado em todo o mundo, na primeira operação desse tipo realizada na América do Sul. E José Dirceu Oliveira e Silva, presidente da UEE de São Paulo, preso numa reunião estudantil, e resgatado com outros 14 parceiros de cárceres. Este é nada menos do que o atual arquipoderoso cabeça de um pelotão de assassinos dos sonhos de patrióticas gerações. Na terça, 14 de outubro, Fernando Nagle Gabeira fez um desabafo chocante: "Administrando um cotidiano, nós passamos a nos preocupar apenas com as eleições e estar no governo, mas a nossa geração não pode se contentar com apenas estar no governo e dizer que quer continuar no governo. Ela tem de dizer porque que está no governo, o que estamos fazendo no governo, o que queremos do governo, e isso infelizmente não foi feito." "Eu quero dizer que eu fiquei muito triste até os dias passados, porque passei a partilhar desse erro da sociedade brasileira, que era esperar um governo salvador e ficar triste, amargurado, porque o governo salvador não tomava as medidas que nós esperávamos". Registro essas palavras ainda tomado pela perplexidade. O meu antigo companheiro da resistência teve seu acesso de dignidade, depois de passar 9 meses participando disciplinadamente do massacre inspirado pelo FMI, e saiu do PT atirando em todas as direções. Conseguiu uma coisa: me deixar tomar pela dúvida sobre as verdadeiras razões do seu libelo. Mas, nem por isso, como nunca acreditei em mitos, como nunca misturei as bolas, gostaria que você soubesse que meu sonho persiste incólume: o mundo dos justos e dos iguais, que me arrebatou na adolescência e me deu forças na adversidade do cárcere está na linha do horizonte, independente da felonia dos fracos, ambiciosos e pobres de espírito. O meu sonho continua certo e não acabou. Nem acabará jamais.
De: Dep. João Fontes Brasília, 03 de setembro de 2003 Cara Celia Maria Nery, De ordem do Deputado agradecemos seu e-mail. É reconfortante saber
que Cordialmente,
De: Dep. Chico Alencar Agradeço, comovido, suas palavras. Elas são força para continuarmos na luta! Um abraço do Chico Alencar Anexo: "Meu partido é um coração partido" Sobre a decisão da Executiva Nacional do PT - tomada por 12 votos a 5 - de punir com 60 dias de suspensão dos direitos partidários os deputados que não apoiaram a Reforma da Previdência: A pesada punição revela que a maioria da direção
do PT, hoje, opera com grande liberalidade nas relações
políticas para fora, aliando-se até a adversários
de direita, mas, nas relações internas, age de forma dura,
inspirada na velha tradição do centralismo. Rigor que, por
outro lado, não tem valido para filiações de figuras
públicas sem a mínima tradição democrática. Chico Alencar, deputado federal, PT/RJ, e pré-candidato petista à Prefeitura do Rio. Rio de Janeiro, 1 de setembro de 2003 Themístocles de Castro e Silva ("O POVO" O Jornal do Ceará, 14 Julho 21h10min)
Naquele discurso de Pelotas, no Rio Grande do Sul (16.6.03), quando exaltou a própria virilidade, constrangendo a mulher do governador Germano Rigotto e a dele próprio, Lula da Silva, quase colérico, esbravejou: - ''Eu não posso aceitar que alguém neste (ele só diz nesse) País se aposente com R$ 17 mil por mês e 40 milhões de pessoas não tenham oportunidade de trabalhar. Se um cortador de cana tem que trabalhar até 60 anos para se aposentar, por que um professor universitário se aposenta com 53?'' A pouca escolaridade do presidente não lhe permite saber que o trabalho mental de preparar uma, duas ou três aulas, por dia, desgasta mais do que o esforço físico de dois meses cortando cana. Mas isso é outra conversa. O presidente fala sobre aposentadoria como se não tivesse sido beneficiado com uma ''especial'', concedida em circunstâncias duvidosas. Ele não admite nada especial para militares, magistrados e professores, mas desde março de 1996, graças a uma interpretação camarada do governo Itamar Franco, é um aposentado especial do INSS, recebendo acima do teto e com efeito retroativo a 22 de novembro de 1990. A sociedade precisa conhecer detalhes da aposentadoria toda especial de Lula da Silva, no momento exato em que ele se empenha, junto aos deputados, em tirar direitos de quem se aposentou rigorosamente dentro da lei. Revendo papéis antigos, como diria o grande Orestes Barbosa em ''Santa dos meus amores'' (Sílvio Caldas, 12.10.34), posso oferecer ao público alguns detalhes da conturbada aposentadoria especial de Lula da Silva, na condição de anistiado e preso político. Lula deu entrada no pedido de aposentadoria no dia 22 de novembro de 1995. Está aposentado desde 24 de março de 1996. Alguém, pelos jornais, considerou a aposentadoria imoral. Em declarações ao ''Estadão'' de 1.4.97, Lula rebateu: - ''Imoral foi me cassarem, me prenderem e obrigarem a empresa a me demitir". Disse mais que a aposentadoria ''é legítima, justa, porque é uma conquista dos anistiados''. Lula foi preso em 1981 pela Polícia de São Paulo. Passou 31 dias no extinto DOPS, por haver comandado greve ilegal, assunto em que era mestre. Não disse quem pediu sua demissão. E ninguém acredita que isso tenha ocorrido. A aposentadoria foi concedida retroativamente a 5 de outubro de 1988, mas só teve direito aos atrasados dos últimos cinco anos, ou seja, a partir de 22 de novembro de 1990. Entra aqui a interpretação camarada que beneficiou Lula com uma ''aposentadoria especial'', que ele hoje quer negar a magistrados, militares e professores depois de uma vida de trabalho honrado. Informa o ''Estadão'' de 9.9.96 sobre o assunto: - ''A declaração de anistia que deu base ao pedido de aposentadoria especial foi solicitada pelo petista em 29 de março de 1993. Na época (governo Itamar Franco), o ministro do Trabalho era Walter Barelli, ex-diretor do Departamento Intersindical de Estatísticas (Dieese). A declaração, com base na lei 6.683, de 1979, não produzia nenhum efeito econômico. Servia apenas como reparação moral e assim foi entendida na Constituição de 1988. No último ano do governo Itamar (94), uma portaria do Ministério do Trabalho, combinada com a Instrução 4/94 do Ministério da Previdência, permitiu a interpretação de que anistiados políticos teriam direito a aposentadoria especial''. Temos aí a origem da ''aposentadoria especial'' de Lula da Silva, generoso demais na retribuição a Itamar, que ganhou a embaixada do Brasil em Roma, com dez ou doze mil dólares mensais. Mas há um detalhe um tanto grave na aposentadoria do atual presidente da República. Quem o revela é o jornal ''O Globo'' de 9 de novembro de 1996, com base no processo do INSS: ''Lula contou parte do tempo de insalubridade, mesmo não estando mais na fábrica, e sim na política sindical. É o mesmo artifício usado por funcionários de gabinete da Petrobras, que se aposentaram por insalubridade sem terem trabalhado em plataforma de petróleo ou refinaria''. E tem mais: Lula aposentou-se como anistiado com 26 anos, 4 meses e 19 dias de serviço. Tinha 51 anos de idade. O benefício, de R$ 2.195,40, começou a ser-lhe pago desde 24 de março de 1996. E só o obteve em face de alguns privilégios concedidos pela legislação aos aposentados especiais. Na época, o teto era de R$ 957,00, por 35 anos de trabalho. Lula conseguiu aposentadoria especial e ainda embolsou R$ 56.478,00 de atrasados, retroativos ao período de 90 a 95. Como entender que Lula da Silva, um privilegiado em termos de aposentadoria, agora se volte contra aqueles que, sem favor ou artifícios, a ela chegaram honestamente? São as voltas que o mundo dá, minha
gente! (início)
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